terça-feira, 31 de maio de 2011

O que é o boxe?


O boxe é um desporto de combate que coloca frente a frente dois lutadores que se enfrentam em busca do título de melhor boxeur. Trata-se de uma arte marcial agressiva mas que, ao contrário de outras modalidades como o Muay Thai ou Savate, utiliza apenas os punhos, quer para defender ou atacar. O termo boxe deriva da expressão inglesa “to box” que significa bater ou bater com os punhos (pugilismo). Este estilo de luta é praticado há milhares de anos e tem milhões de adeptos e praticantes em todo o mundo
A origem do boxe
O boxe como desporto já é conhecido e praticado há várias décadas e a sua origem remonta a Creta em 1500 A.C. Começou por ser praticado na Grécia e em Roma e era um desporto muito violento e desumano, pois os lutadores enfrentavam-se até à morte. Este tipo de luta foi adotado mais tarde pela primeira vez numa Olimpíada em 668 A.C. Tratou-se da 23ª edição dos Jogos Olímpicos da Antiguidade e os boxeurs utilizavam faixas de couro nas mãos para proteger os dedos e lutavam até que um deles caísse inanimado ou admitisse a derrota. Com a queda do Império Romano, perdeu-se um pouco a cultura do boxe, mas tudo leva a crer que ele continuou a ser praticado, visto que a sua prática foi assinalada no fim do século IX, no Sul de Inglaterra.
A afirmação do boxe a partir do século XVII
Depois de um período mais conturbado, em que não se assistiu a qualquer evolução da modalidade, o boxe popularizou-se em Inglaterra, a partir do século XVII. Os boxeurs passaram a combater por dinheiro e isso foi suficiente para surgirem novas técnicas, como a introdução do jogo de pernas e o jogo ofensivo, o que atraiu milhares de novos praticantes. O nobre inglês Marquês de Queensbury sentiu a necessidade de regulamentar este desporto e, como tal, criou determinadas regras para deixar o boxe menos violento, como por exemplo:
             Os combates passariam a ser dentro de um ringue de cordas da forma como hoje é conhecido;
             Os lutadores começaram a ser divididos por pesos e categorias;
             Os boxeurs utilizavam sempre umas luvas de boxe durante um combate. Acabava o boxe a punhos nus;
             Passou-se a utilizar uma proteção nos dentes;
             O público ficou separado dos atletas;
             Cada assalto tinha a duração de três minutos com intervalos de um minuto entre eles para que os atletas conseguissem recuperar as suas forças.
Estas alterações contribuíram para o desenvolvimento do boxe como desporto e favoreceram a tática, a velocidade de execução, o aperfeiçoamento desportivo e a estética. Esta evolução e mudança de mentalidade garantiram uma emoção acrescida à prática da modalidade.
O aparecimento do boxe no Brasil
O boxe chegou ao Brasil com os emigrantes alemães e italianos no final do século XIX e início do século XX. Os primeiros combates foram realizados nas docas de Santos e Rio de Janeiro entre marinheiros europeus. Este estilo de luta começou a ser conhecido e praticado por vários atletas, no entanto a sua difusão foi lenta. A partir dos anos 60, o boxe ganhou um novo fulgor e isso deveu-se aos contributos do lutador Éder Jofre que foi campeão mundial em 1961 e 1973. Anos mais tarde, Adilson Maguila Rodrigues também teve um papel preponderante, pois em 1989 foi campeão sul-americano e foi segundo no ranking do Conselho Mundial de Boxe (CMB). No final dos anos noventa, surgiu uma nova promessa do boxe brasileiro: Acelino de Freitas, mais conhecido como o Popó. Ele foi campeão mundial (1999) pela Organização Mundial de Boxe (OMB) ao vencer o russo Anatoly Alexandrov e isso inspirou milhares de praticantes brasileiros.
Fonte: lutasartesmarciais.com

domingo, 29 de maio de 2011

Sócrates e a nossa relação com o mundo


De fato, com Sócrates há uma mudança significativa no rumo das discussões filosóficas sobre a verdade e o conhecimento. Os primeiros filósofos estavam preocupados em encontrar o fundamento (arké) de todas as coisas. Sócrates, por sua vez, está mais interessado em nossa relação com os outros e com o mundo.
Curiosamente, Sócrates nada escreveu - e tudo o que sabemos dele é graças a seus discípulos, particularmente Platão. Sócrates teria tomado a inscrição da entrada do templo de Delfos como inspiração para construir sua filosofia: Conhece-te a ti mesmo.
Para compreendermos o sentido dessa frase, segundo o filósofo francês Michel Foucault (1926 - 1984), devemos inscrevê-la em uma estratégia mais geral do cuidado de si. Ou seja, o que Sócrates pregava era que nós devemos nos ocupar menos com as coisas (riqueza, fama, poder) e passarmos a nos ocupar com nós mesmos. Poderia objetar-se: com que propósito deveria ocupar-me comigo mesmo? Porque é o caminho que me permite ter acesso à verdade. Mas que tipo de verdade? Obviamente não é uma verdade qualquer, tal como a fórmula química da água, mas a verdade que é capaz de transformá-lo no seu próprio ser de sujeito.
É esse ato de conhecimento, capaz de promover nossa autotranscendência, de que fala Sócrates. Conhecer a mim mesmo para saber como modificar minha relação para comigo, com os outros e com o mundo.
Como ter acesso à verdade?
Tal modificação para ter acesso à verdade, contudo, não é um ato puramente intelectual. Ela exige, por vezes, determinadas renúncias e purificações, das quais Sócrates é um exemplo.
Sócrates dizia ter recebido de Deus a missão de exortar os atenienses, fossem eles velhos ou jovens, a deixarem de cuidar das coisas, passando a cuidar de si mesmos. Tal atitude o fez dedicar-se inteiramente à filosofia e à prática dialógica (uma forma especial de diálogo, denominada maiêutica) por meio da qual ele fazia com que seu interlocutor percebesse as inconsistências de seu discurso e se autocorrigisse.
A atitude de Sócrates questionava os valores da sociedade ateniense, razão pela qual seus inimigos o levaram ao tribunal, onde foi julgado e condenado à morte. Sua morte, porém, não impediu que a questão do cuidado de si se tornasse um tema central na filosofia durante mais de mil anos - e chegasse a influenciar alguns filósofos modernos e contemporâneos.
A questão central do cuidado de si é que jamais se tem acesso à verdade sem uma experiência de purificação, de meditação, de exame de consciência - enfim, através de determinados exercícios espirituais capazes de transfigurar nosso próprio ser.
Dito de outro modo, o estado de iluminação, de descoberta da verdade, não é produto do estudo, mas de uma prática acompanhada de reflexão constante sobre minhas ações, atitudes - e de como posso modificá-las para me tornar uma pessoa melhor. É como se a vida fosse uma obra de arte em que nós vamos nos moldando, nos aperfeiçoando no decorrer da existência.
A difícil busca da verdade
Atualmente, estamos distantes dessa perspectiva socrática do cuidado de si. A ciência moderna está preocupada com a produção e acumulação de conhecimentos.
Mas quando nos perguntamos: para quê acumulamos e produzimos conhecimento? A resposta é simplesmente: para aumentar infinitamente nosso conhecimento. Entramos, assim, numa corrida sem fim, em que nunca nos questionamos se isso realmente está trazendo os benefícios prometidos.
Claro que a tecnologia traz inegáveis benefícios, mas não parece que as pessoas, atualmente, estejam mais felizes. Pode-se alegar, no entanto, que não é papel do conhecimento e da ciência promover a felicidade humana - e que, talvez, conhecimento e ciência tenham a única função de contribuir para a concentração de poder e dinheiro nas mãos de alguns uns poucos.
Sócrates, porém, via a busca da verdade como um caminho de ascese, pois, quando cuidamos de nós mesmos, modificamos nossa relação com os outros e com o mundo.
Mergulhados em preocupações com a aparência e o consumo, pensamos estar cuidando de nós mesmos, quando na verdade estamos nos perdendo em meio às coisas. É preciso conhecer a si mesmo para não perder-se. Claro que você não vai encontrar toda verdade em si mesmo, mas, pelo menos, a única verdade capaz de salvá-lo.

Teste de História - Resolva Caro leitor vestibulando:

Na Segunda Guerra, a batalha de Iwo Jima foi vencida pelos Estados Unidos em território japonês. A ilha vulcânica, de difícil acesso, fez de cavernas e túneis de concreto um cenário de violentas batalhas. Iwo Jima voltou a ser Iwo To.

1-Em que ano da Segunda Guerra foi travada a batalha de Iwo Jima?
      (a)    No primeiro ano, em 1939
      (b)   Em 1941, após o ataque japonês a Pearl Harbour
      (c)    Em 1943, ano em que as tropas norte-americanas entraram na Segunda Guerra
      (d)   No último ano, em 1945
    2- Iwo Jima é a mais importante das ilhas Volcano, no Pacífico. Qual o significado da expressão japonesa 'iwo jima'? 
      (a)    Inferno
      (b)   Ilha de enxofre
      (c)    Vulcão
      (d)   Ilha grande
3- Como morreu o general Tadamishi Kuribayashi, o comandante do Japão na batalha de Iwo Jima?
      (a)    Ele se rendeu e foi condenado à morte em Tóquio, por traição ao imperador
      (b)   Morreu em combate, à frente das tropas
      (c)    Morreu de fome e sede, como muitos combatentes
      (d)   Ele cometeu suicídio
4- Quem dirigiu 'Cartas de Iwo Jima', filme que ressalta o ponto de vista japonês da batalha no Pacífico?
      (a)    Clint Eastwood
      (b)   Ang Lee
      (c)    Akira Kurosawa
      (d)   Takeshi Kitano
5- Por que houve dois hasteamentos da bandeira dos EUA no Monte Suribashi, em Iwo Jima? A conquista da montanha foi estratética para a vitória.
      (a)    Porque o primeiro hasteamento não foi fotografado
      (b)   Porque no primeiro hasteamento a bandeira ficou de cabeça para baixo
      (c)    Porque o comandou das tropas decidiu trocar a primeira bandeira por uma maior
      (d)   Porque a primeira bandeira foi rasgada por tiros logo após o hasteamento
6- Assinale a alternativa que apresenta corretamente os resultados da batalha de Iwo Jima:
       (a)    O Japão se rendeu logo após a derrota para os EUA, em março de 1945
 (b) No arquipélago japonês, os EUA testaram pela primeira vez os veículos anfíbios
 (c) A batalha se prolongou por seis meses, até o final da Segunda Guerra
 (d) Cerca de 20.000 combatentes japoneses morreram em Iwo Jima
Respondam em Forma de Comentários. Postarei o gabarito na próxima Sexta Feira. Bons Estudos!

A Alma - Voltaire

Nascido em Paris, em 21 de novembro de 1694, falecido em 30 de maio de 1778, foi o pensador mais influente do período do iluminismo francês. Em sua época, foi considerado um dos maiores poetas e dramaturgos de seu tempo. Hoje, a figura de Voltaire é mais relacionada aos seus ensaios e seus contos. O nome Voltaire, na verdade, foi por ele adotado após a passagem pela prisão na Bastilha durante um ano, por sua vez ocorrida devido a alguns versos satíricos dos quais foi acusado de ser autor. A tragédia Édipo (Oedipe) abriu passagem para sua incursão no meio ntelectual, tendo sido escrita no período de sua detenção na Bastilha. Uma outra obra que merece ser citada é o conto Cândido, escrito em 1759. Já em seus escritos filosóficos, as obras que devem ser citadas são o Tratado de Metafísica (Traite de Metaphysique), de 1734, e o Dicionário Filosófico (Dictionaire Philosophique), de 1764. Seu pensamento foi calcado nas bases do racionalismo, instrumento com o qual procurava pregar a eforma social sem a destruição do regime já estabelecido. Muito de sua luta dirigia-se contra a Igreja e, na atualidade, alguns chegam a considerar Voltaire como um predecessor do anti-semitismo moderno, dadas seus pensamentos acerca dos udeus, tidos por ele como fanáticos supersticiosos. No entanto, ele se opôs à perseguição a estes povos. Colaborou ainda com um dos enciclopedistas mais radicais, Diderot.
 É um termo vago, indeterminado, que expressa um princípio desconhecido, porém de efeitos conhecidos que sentimos em nós mesmos. A palavra alma corresponde à “animu” dos latinos, à palavra que usam todas as nações para expressar o que não compreendem mais que nós. No sentido próprio e literal do latim e das línguas que dele derivam, significa “ o que anima”. Por isso se diz: A alma dos homens, dos animais e das plantas, para significar seu princípio de vegetação e de vida.
Ao pronunciar esta palavra, só nos dá uma idéia confusa, como quando se diz no Gênesis: Deus soprou no rosto do homem um sopro de vida, e se converteu em
alma vivente, a alma dos animais está no sangue, não mateis, pois, sua alma.
De modo que a alma – em sentido geral– se toma pela origem e causa da vida, pela vida mesma. Por isto as nações antigas acreditaram durante muito tempo que tudo morria ao morrer o corpo. Ainda é difícil desentranhar a verdade no caso das histórias remotas, há probabilidade que os egípcios tenham sido os primeiros que distinguiram a inteligência e a alma, e os gregos aprenderam com eles a distinção.
Os latinos, seguindo o exemplo dos gregos, distinguiram animus e anima; e nós distinguimos também alma e inteligência. Porém o que constitui o princípio de nossa vida, constitui o princípio de nossos pensamentos? São duas coisas diferentes, ou formam um mesmo princípio? O que nos faz digerir, o que nos produz sensações e nos dá memória, se parece ao que é causa nos animais da digestão, das sensações e da memória?
Há aqui o eterno objeto das disputas dos homens. Digo eterno objeto, porque carecendo da noção primitiva que nos guie neste exame, teremos que permanecer sempre encerrados num labirinto de dúvidas e de conjeturas.
Fonte: Alma, Voltaire