quinta-feira, 30 de junho de 2011

A existência em Heidegger


Heidegger divide a existência em três "estruturas existenciais": afetividade, fala e entendimento. São três fenômenos existenciais que caracterizam como as coisas do passado, do presente e do futuro se manifestem para o homem e a unidade desses três fenômenos constitui a estrutura temporal que faz a existência inteligível, compreensível.
1) a afetividade: as coisas do passado chegam ao homem como valores, afetando-lhe os sentimentos, que podem ser públicos, compartilhados, e transmissíveis.
2) a fala: no presente, as coisas se traduzem em palavras da linguagem na articulação dos seus significados
3) o entendimento: as coisas do futuro, onde o projeto que define o homem encontrará a morte, são as coisas não garantidas, que lhe são devolvidas para gerar nele o sentimento de que não está em casa neste mundo, mesmo estando entre as coisas que lhe são mais familiares. Portanto, no homem, o ser está relacionado ao tempo e está dado, - existe -, nestes três fenômenos, nestes três "existenciais".
A alienação. O homem está fora das coisas, diz Heidegger em "O ser e o tempo", nunca sendo completamente absorvido por elas, mas não obstante, não sendo nada, à parte delas. O homem vive, até o fim, em um mundo no qual ele foi jogado. Sendo algo jogado em meio às coisas, estando-lá (Da-sein), constitui algo à parte (Verfall), mas está no ponto de ser submergido nas coisas. É continuamente um projeto (ent-wurf); mas ocasionalmente, ou mesmo normalmente, pode ser submergido nas coisas a tal ponto que é absorvido nelas temporariamente (Aufgehen in). O homem encobre aqueles condicionantes existenciais, - aquilo que ele de fato é -, entregando-se a uma rotina de superficialidades "públicas" na vida cotidiana. Não é então ninguém em particular; e uma estrutura que Heidegger chama das Man ("o eles”) é revelada, como uma tendência da alienação de si mesmo que leva o homem à tendência de se conhecer apenas através da comparação que faz de si mesmo com os outros indivíduos seus pares.
A característica do das Man é a conversa inócua (Gerede) e curiosidade (Neugier). No Gerede, o que fala e o ouvinte não estão em nenhuma relação pessoal genuína ou em qualquer relação intima com aquilo sobre o que falam, o que, portanto, conduz à superficialidade. A curiosidade é uma forma de distração, uma necessidade para o "novo," uma necessidade para algo "diferente," sem interesse ou capacidade de maravilhar.
A angústia. Mas uma coisa pode acontecer que desperta o homem dessa alienação, a angústia (Angst). Ela resulta da falta de base da existência humana. A "existência" é uma suspensão temporária entre o nascimento e a morte O projeto de vida do homem tem origem no seu passado (em suas experiências) e continuam para o futuro, o qual o homem não pode controlar e onde esse projeto será sempre incompleto, limitado pela morte que não pode evitar.
A angústia funciona para revelar o ser autêntico, e a liberdade (Frei-sein) como uma potencialidade. Ela enseja o homem a escolher a si mesmo e governar a si mesmo.
Na angústia, a relevância do tempo, da finitude da existência humana, é experimentada então como uma liberdade para encontrar-se com sua própria morte (das Freisein für den Tod), um "estar preparado para" e um contínuo "estar relacionado com" sua própria morte (Sein zum Tode). Na angústia, todas as coisas, todas as entidades (Seiendes) em que o homem estava mergulhado se afastam, afundando em um "nada e em nenhum lugar," e o homem então em meio às coisas paira isolado, e em nenhuma parte se acha em casa (Un-heimlichkeit, Un-zu-hause). Enfrenta o vazio, a "nenhuma-coisidade" (das Nichts); e toda a "rotinidade" desaparece – e isto, para Heidegger, é bom, uma vez que ele então encontra a potencialidade de ser de modo autêntico.
Assim, a angustia "sóbria" (nüchtern) e a confrontação implicada com a morte são primeiramente ferramentas, têm importância metodológica: certos fundamentos são revelados. A ansiedade abre o homem para o ser.
Entre as estruturas reveladas estão as potencialidades do homem para ser alegremente ativo ("conhecer a alegria [die wissende Heiterkeit] é uma porta para o eterno"). Isto não quer dizer que o ser participa do lado negro do desespero, da angústia; o ser é associado com a " luz " e com " a alegria " (das Heitere). Pensar o ser é chegar ao verdadeiro lar.
Por isso, dos três existenciais, Heidegger privilegia o futuro, porque esta projeção para o advir e o golpe da devolução no embate com a morte que lá está é que o leva a pensar e à autoconscientização.
O homem pode então introduzir esse conhecimento existencial no projeto de sua vida, e assim se apropriar da existência fazendo-a efetivamente sua, tornando-se autêntico, não mais um ente sem raízes.
Essa visão existencial do homem, em que ele se conscientiza das estruturas existenciais a que está condicionado e que o tira da superficialidade em que desenvolve seus conflitos tornou-se sedutora para a psiquiatria.

Conceitos fundamentais para a democracia grega:


 
1- Política (pólis=cidade grega, cidade-estado)
       É uma forma de gestão da pólis. Ou seja, é tudo que se refere ao coletivo, que diz respeito a todos - ou a uma parte significativa, evidentemente. A política seria uma alternativa às outras formas de gestão da cidade (como a tirania ou a anarquia). A política estaria para a tirania como a diplomacia está para a guerra: é uma forma de se resolver os problemas sem recorrer à violência. Pelo contrário, utilizando aquilo que nos é tão precioso: a razão.
2- Isonomia: (iso=mesmo, igual / nomia=regras, normas)
     Todos os homens estão sujeitos às mesmas leis e normas - ou seja, ninguém é "semi-deus", somos todos homens, e os homens devem ter os mesmos direitos e deveres na sociedade. Começa, aqui, uma busca pela objetividade da "gestão do coletivo". As normas e leis não podem ser mudadas, como as vontades de um imperador: elas são compartilhadas por todos.
3- Isegoria:
      Todos os cidadãos têm igual direito de manifestar sua opinião política para todos os outros. A palavra de dois homens têm igual valor perante a sociedade. Quando as opiniões divergem, é preciso que se discuta a questão. Através do discurso, da fala, os cidadãos têm o direito de convencer os outros sobre seu ponto de vista.
Persuasão:
     Nenhum homem detém toda a verdade sobre as coisas. Assim, os homens não conseguem falar verdades, podem ter apenas opiniões (doxa). E muitas vezes essas opiniões divergem quanto a problemas comuns. Para o madeireiro é bom estimular o desenvolvimento frenético da Amazõnia, enquanto para os índios, seringueiros e a opinião midiática global isso não é desejável. Mas todos gostam de comprar produtos amazônicos.
Não há uma verdade clara. As pessoas precisam discutir, com inteligência e clareza, para chegar num acordo. Neste processo, cada um utiliza os meios disponíveis para persuadir o outro. Mudar a opinião do outro. Sem o esforço de persuasão, a democracia não é possível.
       Resta, portanto, a questão: o que queremos dizer com persuasão? Quando as formas de persuasão são violentas? Quando são democráticas? Quando são educacionais?
Democracia: (demo=povo / cracia=poder)
O povo governado pelo povo. Seria o mesmo que Isocracia. Um ideal aparentemente simples e trivial, que até hoje estamos tentando praticar - e mesmo formular.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O que é Ágora de Atenas?


A ágora de Atenas foi um espaço público de fundamental importância na constituição do espaço urbano da Atenas clássica. Atualmente, encontra-se em ruínas e é considerada bem tombado e um dos principais espaços turísticos da cidade de Atenas e de toda a Grécia.
A ágora possuía papel importante na configuração da democracia ateniense e na política da cidade, sendo o local, por excelência, da manifestação da opinião pública, adequado à cidadania cotidiana. A ágora de Atenas caracterizava-se como uma grande praça, um vazio contrastante em meio ao casario compacto típico da Atenas clássica. Em sua face Oeste era limitada por uma seqüência de edifícios públicos, cada um representando um papel diferente na vida política da cidade. Em sua face leste, estava limitada por mercados e feiras livres.
A ágora localizava-se em um dos pontos mais baixos de Atenas, de forma que era possível, dali, vislumbrar com um olhar os outros três espaços importantes na constituição da política da cidade: a acrópole (localizada no ponto mais alto), o areópago e a pnyx (localizados à meia altura entre a ágora e a acrópole).

A Biblioteca de Alexandria, curiosidades: Parte II


A Biblioteca de Alexandria foi uma das maiores bibliotecas do mundo e se localizava na cidade egípcia de Alexandria que fica ao norte do Egito, situada a oeste do delta do rio Nilo, às margens do Mar Mediterrâneo.
É hoje, o mais importante porto do país, a principal cidade comercial e a segunda maior cidade do Egito. Tem cerca de 4.4 milhões de habitantes.
A cidade ficou conhecida por causa do empreendimento de tornar-se, na Antigüidade, o centro de todo conhecimento do homem, com a criação da Biblioteca de Alexandria.
Considera-se que tenha sido fundada no início do século III a.C., durante o reinado de Ptolomeu II do Egito, após seu pai ter construído o Templo das Musas (Museum).
É atribuída a Demétrio de Falero sua organização inicial. Estima-se que a biblioteca tenha armazenado mais de 400.000 rolos de papiro, podendo ter chegado a 1.000.000.
Foi destruída parcialmente inúmeras vezes, até que em 646 foi destruída num incêndio acidental.
A instituição da antiga Biblioteca de Alexandria tinha como o principal objetivo preservar e divulgar a cultura nacional. Continha livros que foram levados de Atenas. Ela se tornou um grande centro de comércio e fabricação de papiros.
Papiro (pelo latim papyrus do grego antigo πάπυρος) é, originalmente, uma planta perene da família das ciperáceas cujo nome científico é Cyperus papyrus, por extensão é também o meio físico usado para a escrita (percursor do papel) durante a Antigüidade (sobretudo no Antigo Egito, civilizações do Oriente Médio, como os hebreus e babilônios, e todo o mundo greco-romano).
Foi por volta de 2200 anos antes de Cristo que os egípcios desenvolveram a técnica do papiro, um dos mais velhos antepassados do papel.
Para confeccionar o papiro, corta-se o miolo esbranquiçado e poroso do talo em finas lâminas. Depois de secas, estas lâminas são mergulhadas em água com vinagre para ali permanecerem por seis dias, com propósito de eliminar o açúcar. Outra vez secas, as lâminas são ajeitadas em fileiras horizontais e verticais, sobrepostas umas às outras.
A seqüência do processo exige que as lâminas sejam colocadas entre dois pedaços de tecido de algodão, por cima e por baixo, sendo então mantidas prensadas por seis dias.
E é com o peso da prensa que as finas lâminas se misturam homogeneamente para formar o papel amarelado, pronto para ser usado. O papel pronto era, então, enrolado a uma vareta de madeira ou marfim para criar o rolo que seria usado na escrita.
A lista dos grandes pensadores que freqüentaram a biblioteca e o museu de Alexandria inclui nomes de grandes gênios do passado.
Importantes obras sobre geometria, trigonometria e astronomia, bem como sobre idiomas, literatura e medicina, são creditados a eruditos de Alexandria.
Segundo a tradição, foi ali que 72 eruditos judeus traduziram as Escrituras Hebraicas para o grego, produzindo assim a famosa Septuaginta (tradução da Tora para o idioma grego, feita no século III a.C.).
Ela foi encomendada por Ptolomeu II (287 a.C.-247 a.C.), rei do Egito, para ilustrar a recém inaugurada Biblioteca de Alexandria.
A tradução ficou conhecida como a Versão dos Setenta (ou Septuaginta, palavra latina que significa setenta, ou ainda LXX), pois setenta e dois rabinos trabalharam nela e, segundo a lenda, teriam completado a tradução em setenta e dois dias.
A Septuaginta foi usada como base para diversas traduções da Bíblia.

o que é o homem?


Será um génio?
Será um louco?
Será um conquistador?
Será um destruidor?
Será um Deus?
Será um animal?
Será um ser consciente?
Será inconsciente?
Será humano?
O que é afinal o ser humano?
O ser humano é um ser finito em busca do infinito.
É um ser que infinitamente observa, interroga, reage...
Nada seria possível ao Homem sem o seu poderoso cérebro, muito mais infinito que o próprio Homem, muito mais obscuro do que este.
O ser Humano rege-se, na maioria das vezes, por comparações.
Quando comparado a um animal, por exemplo uma formiga, o ser humano sente-se superior, mais inteligente, mais interessante, mais forte... mais forte?...Algumas espécies de formigas conseguem transportar até 50 vezes o seu peso!
Todavia o ser humano continua a considerar-se o máximo! Mas claro, isto dentro do seu mundo, da sua mente... tudo está dentro da nossa cabeça e o Homem só vê o que realmente quer ver.
A mente humana é poderosa!... Mas será que continua assim comparada com Deus?
Muitos consideram-no um ser supremo.
Mas já Einstein, considerado um génio, dizia: " Tenham o cuidado de não fazer do intelecto o nosso Deus; ele tem músculos possantes, mas não possuí qualquer tipo de personalidade"...
Não estaremos a fazer do intelecto o nosso Deus?
Não será o Homem o seu próprio Deus?

terça-feira, 28 de junho de 2011

A religião sem razão


Apesar de criticar a intolerância religiosa, Voltaire acredita que a crença é importante para a sociedade. Mas a aceitação de seus dogmas sem questionamento levou o homem ao fanatismo, à barbárie e à destruição
OPRESSORES DA RAZÃO
Os padres eram considerados opressores da razão e dos sagrados direitos. No Dicionário filosófico, Voltaire não lhes perdoa as ofensas à razão. Escreve: “quando um padre diz ‘Adorai a Deus, sede justo, indulgente e bondoso’, é um bom médico. Quando diz ‘acreditai em mim ou sereis queimado’, é um assassino”. De imediato, somos levados a pensar que Voltaire odiava o clero com toda sua ira, mas não é bem isso. Voltaire não suportava a forma com que o clero pregava o cristianismo. Conta que na França, um cura chamado João Meslier, ao morrer, pediu perdão a Deus por ter ensinado o cristianismo a seus paroquianos. Essa confissão mostra como a prática do cristianismo era cruel e abusiva, pois, além do clero não temer a Deus, usava o nome de Deus para sufocar e instigar as pessoas contra outras seitas.
A intolerância mais bárbara entre os cristãos, sem dúvida, dava-se na França. Eram os próprios cristãos os perseguidores, os carrascos e os assassinos dos próprios irmãos. Destruíam cidades com crucifixo ou Bíblia na mão, sem cessar de derramar sangue e acender fogueira. Contudo, essa era uma prática que não se dava em todos os países da Europa. Se muitas destas barbáries foram encabeçadas pelo clero francês, padres católicos de nenhum outro país protestante agiam assim, segundo Voltaire, dando como exemplo os padres da Inglaterra e da Irlanda que ali viviam pacificamente. A indignação estava na tentativa de encontrar uma resposta ao porquê de sua nação ser sempre a última a abraçar as opiniões saudáveis dos outros países.
Para Benjamim Franklin, “o jeito de ver pela fé é fechar os olhos da razão”. De fato, os homens precisam exercitar a razão, e não aceitar seus dogmas de forma fanática e cega. O raciocinar pela metade só leva ao fanatismo e falsas superstições, pois aquele que não aceita questionar sua fé, seus dogmas e sua religião, perdeu esta capacidade inerente a todo homem: o pensar. Este homem passa a ser um indivíduo que apenas repete “verdades” reveladas, por mais absurdas que sejam. A humanidade ainda tem muito para avançar se destruir de vez o fanatismo religioso de seu interior, que tanta desgraça e destruição tem trazido ao mundo.
Fonte: http://filosofiacienciaevida.uol.com.br

Homem: o ser tecnológico

A Filosofia se caracteriza por um constante perguntar e, no decorrer da sua história, numa vasta coletânea de respostas-tentativas a essas questões. Uma dessas indagações diz respeito ao que é o ser humano.
Variadas foram as tentativas de respondê- la e uma maneira freqüentemente utilizada para balizar a pergunta sobre o que caracteriza especificamente o ser humano foi compará-lo àquilo que ele não é, mas que lhe é, de certa forma, próximo: os animais.
Aristóteles, por exemplo, dizia que o homem era o único animal racional, e considerava, pois, a racionalidade como a característica que distinguia o homem do animal. Para Descartes, o animal era apenas um autômato, que agia por condicionamento, e não possuía pensamento.
Rousseau, ainda se utilizando da analogia com os animais, defendia que o que os distingue, de fato, do ser humano é algo que ele denominou "perfectibilidade". O nome vem de um neologismo um tanto inusitado, mas seu significado é por ele esclarecido: a perfectibilidade é a capacidade que o homem possui de aperfeiçoar-se.
Atualizando um pouco a distinção, poder-se-ia dizer que é como se os animais viessem com um software instalado de fábrica, o qual os condiciona e limita durante toda a existência. Já os humanos seriam, nesse sentido, ilimitados, porque são seres que se aperfeiçoam, desenvolvem cultura, fazem história.
Enquanto um pombo morreria de fome diante de um pedaço de carne ou um felino frente a um punhado de grãos, pois são programados por natureza a alimentar-se diversamente - de modo que ambos nem sequer experimentam novas possibilidades -, o homem é um ser que supera determinações naturais.
Não sendo condicionado por natureza, o homem é capaz de vivenciar novas experiências, de inventar artefatos que o possibilitem, por exemplo, voar ou explorar o mundo subaquático, quando não foi dotado por natureza para voar e permanecer sob a água.
Diante disso, Rousseau defende que o homem é o único animal a possuir liberdade, porque ele pode fazer escolhas que vão contra seus instintos ou determinações naturais. Nessa perspectiva, é óbvio que ninguém em sã consciência pensaria em condenar, e nem mesmo em julgar, um tubarão por alimentar-se de um surfista que desliza tranqüila e inocentemente em um oceano qualquer, ou uma cobra peçonhenta por atacar um transeunte distraído em sua caminhada matinal no bosque que freqüenta diariamente. A justificativa é óbvia: isso faz parte da natureza desses animais, ou seja, eles não têm escolha e não podem ser condenados por algo que não poderiam fazer diferentemente. Já ao homem cabem indagações axiológicas (valorativas) e normativas, porque são seres que sempre podem escolher entre atos, condutas, posicionamentos.
Para ilustrar a questão, pode-se observar que, ao se recorrer a qualquer acervo bibliográfico, não são encontrados livros sobre, por exemplo, a história das abelhas, das formigas, dos tigres-debengala. Vemos, sim, livros sobre a vida das abelhas, das formigas etc. Até onde nos levam as evidências, elas vivem da mesma forma e fazem as mesmas coisas desde os primórdios de sua existência.
Essa previsibilidade que caracteriza os animais, em razão de seus condicionamentos naturais, justifica por que eles são seres que não têm história. A vida deles apenas repete a vida de seus antepassados - com leves mudanças no decorrer da evolução, mas nada comparado com o que produzem os humanos: cultura.
O que isso tudo tem a ver com tecnologia e seus efeitos em nossa visão de mundo?
Tem a ver com o fato de que só os seres humanos desenvolvem tecnologia, e isso se dá porque o que chamamos tecnologia nada mais é do que essa capacidade humana de transcendência de suas limitações naturais, levada ao mundo prático. Diz-se, aqui, levada ao mundo prático porque, ao homem, cabe também a forma de transcendência intelectual, como a linguagem.

POR LILIA PINHEIRO