sábado, 25 de junho de 2011

Gabarito do teste de História

Questão 27
A exploração aurífera no Brasil colonial possibilitou um grande desenvolvimento artístico e cultural na região das Minas Gerais, do qual a imagem abaixo é um exemplo. Comentando essa prosperidade econômica e esse desenvolvimento artístico-cultural, na dimensão religiosa, a historiadora Laura de Mello e Souza assim descreve uma celebração litúrgica no século XVIII, em Minas Gerais:
Em 1733, houve em Vila Rica uma festividade religiosa que retirou o Santíssimo Sacramento da Igreja do Rosário e o conduziu para a Matriz do Pilar. [...] As janelas foram adornadas com colchas de seda e damasco, e as ruas se enfeitaram com arcos para além dos quais foi montado um altar “para descanso do Divino Sacramento, e deliberado ato da pública veneração”. [...] Minas estava então no seu apogeu. Vila Rica era “por situação da natureza cabeça de toda a América, pela opulência das riquezas a pérola preciosa do Brasil”.
O que está sendo festejado é antes o êxito da empresa aurífera do que o Santíssimo Sacramento, e nessa excitação visual caracteristicamente barroca, é a comunidade mineira que se celebra a si própria, esfumaçando, na celebração do metal precioso, as diferenças sociais que separam os homens que buscam o ouro daqueles que usufruem do seu produto. [...] No momento de sua maior abundância, é como se o ouro estivesse ao alcance de todos, a todos iluminando com seu brilho na festa barroca. Considerando-se o fragmento textual de Laura de Mello e Souza, pode-se afirmar que
A) a imensa riqueza produzida pela exploração aurífera possibilitava grandiosas expressões na vida religiosa, que encobriam a heterogeneidade dos interesses de classes.
B) a economia mineradora produziu uma sociedade em que as condições de mobilidade social eram maiores que as vigentes na economia açucareira.
C) a grande produção aurífera possibilitou, na época, a instalação de numerosos mosteiros, que fortaleceram a atuação da Igreja na região.
D) a riqueza proveniente da mineração possibilitou o grande desenvolvimento da cultura intelectual, que se expressou em estilo próprio, distinto dos modelos vigentes na Europa.
Questão 28
Em 1808, a Corte portuguesa transferiu-se para o Brasil, alterando significativamente as relações, até então vigentes, entre a Colônia e a Metrópole.
Considerando-se as alterações ocorridas no período, é correto afirmar:
A) As oligarquias de todas as regiões se uniram em torno de D. João, amenizando efetivamente os conflitos existentes desde o início da colonização portuguesa.
B) A Família Real aumentou de forma abusiva os impostos sobre a propriedade privada da terra, com o intuito de estimular a produção em terras da Coroa.
C) O centro-sul tornou-se a principal área econômica do Brasil, e as suas elites, em razão disso, desejaram impor-se sobre as outras elites regionais.
D) Os portos brasileiros foram abertos para o comércio com as nações amigas, para estimular, sobretudo, o comércio com a França.
Questão 29
A década de 1930 foi um momento marcante na discussão sobre a identidade nacional brasileira. Entre os intelectuais que, na época, debateram essa questão, destacouse Gilberto Freyre, autor de Casa-grande e Senzala, considerada hoje um marco em relação a tal discussão.
Dialogando com as idéias dos intelectuais brasileiros das gerações anteriores, Gilberto Freyre
A) destacava a predominância dos fatores biológicos sobre as características culturais, o que fundamentava uma hierarquização entre as “raças” humanas.
B) defendia que a miscigenação entre europeus, indígenas e africanos tinha formado, no Brasil, uma sociedade na qual as distintas matizes raciais e culturais haviam sido recombinadas de forma harmoniosa.
C) argumentava que a mistura entre as raças consideradas primitivas (indígenas e africanos) e as raças consideradas superiores (europeus) resultara na degeneração dos brasileiros.
D) propunha que se evitasse a degeneração do povo brasileiro, promovendo-se o “branqueamento”, por um processo de miscigenação, que gradualmente incorporasse as características das “raças superiores”.
Questão 30
Em uma cerimônia cívica realizada no Rio de Janeiro, em dezembro de 1937, o presidente Getúlio Vargas participou da queima e da destruição das bandeiras estaduais e do hasteamento do pavilhão nacional. O cartaz abaixo foi divulgado no período e ilustra uma das diretrizes do governo Vargas, expressa também na cerimônia referida.
Essa cerimônia pode ser simbolicamente identificada com o desejo de Vargas de
A) demonstrar que o poder forte centralizado havia liquidado a força política dos coronéis em todos os estados da Federação.
B) afrontar as lideranças políticas do Congresso Nacional, por ele considerado um órgão inoperante e distanciado dos interesses vigentes nos estados da Federação.
C) distribuir a renda nacional de acordo com as necessidades da população, minimizando as disparidades entre trabalhadores e empresários dos diferentes estados brasileiros.
D) instituir um Estado Nacional unificado em torno de padrões nacionais, em oposição às unidades federadas dominadas pelos interesses das oligarquias.
Questão 31
O historiador Durval M. de Albuquerque Júnior, analisando a seca de 1877 no Nordeste, escreveu:
Sentindo-se acuados pelas ameaças partidas de cangaceiros e das populações famintas, os grandes proprietários de terra, com a produção paralisada, não tinham condições de se manter no interior e migraram para as capitais das províncias, onde [...] passaram a viver do desvio de parte dos recursos enviados pelo governo imperial, [...] despertando essas elites para a utilização da seca como meio de arregimentar recursos públicos e carreá-los para seus próprios bolsos.
ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. Palavras que calcinam, palavras que dominam: a invenção da seca do Nordeste. REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA. São Paulo: ANPUH / Marco Zero. v. 14. n. 28. 1994. p. 115.
Considerando-se esse fragmento textual, pode-se inferir que a seca de 1877 foi singular pelo fato de
A) ter o governo central suspendido o envio de recursos para o Nordeste, em razão de denúncias de desvios das verbas para atender a interesses particulares.
B) ser usada para o atendimento de interesses dos grupos dominantes locais, favorecendo o surgimento da chamada “indústria das secas”, amplamente difundida no século XX.
C) possibilitar a construção de muitas obras públicas nas cidades, gerando a “indústria das secas” e enfraquecendo o poder das oligarquias agrárias do interior do Nordeste.
D) proporcionar o surgimento da miséria e do banditismo na região Nordeste, em razão da magnitude dos efeitos sociais resultantes dessa catástrofe climática.
Fonte: UFR

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