segunda-feira, 13 de junho de 2011

Freud e a Interpretação dos Sonhos


Cem anos atrás, Freud sonhava... Também escrevia e o saber produzido - ainda hoje - nos diz respeito.
A crença mantida na antigüidade, de que os sonhos eram enviados pelos deuses a fim de ordenar as ações dos homens, constitui ainda hoje uma convicção popular. Basta lembrarmos do sonho do faraó, proposto a José na Bíblia, das sete vacas gordas seguidas por outras sete magras que devoram as primeiras. O significado era uma profecia de sete anos de fome no Egito.
Esse método de interpretação simbólica é tão difundido como outro de decifração, onde para cada elemento onírico encontra-se um significado correspondente, estabelecido nos livros de sonhos com tabelas de palavras-chaves e lugares comuns.
É a partir de Freud que o sonho torna-se objeto de pesquisa científica com o livro, O significado dos Sonhos, resultando na criação de um novo método de interpretação psicanalítica. Não há dúvida que aquela era uma grande descoberta, mais ou menos original. Sim, porque mesmo que eternamente fosse admitido algum sentido para os sonhos, a novidade freudiana, foi fazer deles, através de uma práxis, uma via régia.
A eficácia analítica operava a partir de três perspectivas simultâneas. Primeiro, na prática clínica, tratava-se do melhor dos caminhos para atingir os pensamentos recalcados do paciente. Depois, por ser o meio mais adequado para um conhecimento teórico do aparelho psíquico; e finalmente, por se constituir o melhor dos argumentos para levar os seus leitores a admitir a existência do inconsciente, conceito mor da psicanálise.
No entanto, será que Freud disse tudo que poderia ser dito? Todavia, quantas outras coisas sabemos atualmente sobre o assunto, como saldo positivo, tanto da experiência analítica, quanto das ciências humanas, as cognitivas e as conjecturais?
Um século depois da iniciativa freudiana, os sonhos, o sonhar, a vida onírica e a arte da interpretação continuam tirando o sono dos interessados em questionar a realidade, considerando que ela é apenas diurna.
Em 1999, a efeméride convida para um balanço e um recenseamento da outra cena. A psicanálise teria bastante para discutir, mas nunca poderia ser a dona da questão. Pelo contrário, os sonhos são um território específico que - embora não autônomo - convoca todos os saberes competentes a se manifestarem, em função de um desafio que se mantém tão vivo agora, como sempre foi na noite dos tempos.
Autoria: Karla de Andrade Santana.

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