terça-feira, 21 de junho de 2011

Ecletismo e Estoicismo


As duas correntes mais importantes do pensamento romano são o ecletismo e o estoicismo. Ambos correspondem à índole prática do gênio romano: o primeiro condiz com o pragmatismo positivo, otimista, da idade republicana; o segundo condiz com o pragmatismo negativo, pessimista, da idade imperial.
O mais destacado expoente da primeira corrente é Marco Túlio Cícero (106-43 a.C.), jurista e homem político literato e orador famoso. Não é, porém, igualmente ilustre no mundo filosófico. Carece de interesse especulativo, de crítica e de sistema; o sistema filosófico de Cícero é uma forma de pragmatismo eclético, sendo critério de verdade o útil moral. Seu mérito principal está no fato de que ele fez ampla e eficazmente conhecer a Roma o pensamento helênico, traduzindo-o para a língua latina, criando um verdadeiro dicionário filosófico latino. Cícero tem mérito também como historiador da filosofia antiga, de que representa uma fonte essencial, às vezes a única fonte, dada a sua cultura vasta e eclética. Em Atenas e em Rodes, Cícero foi discípulo de Filo, acadêmico, de Possidônio, estóico, e de Fedro epicurista. O seu pensamento é, assim, um ecletismo com tendências acadêmicas e para finalidades morais - conforme a segunda escola estóica grega.
O estoicismo romano difere do estoicismo grego, porquanto - segundo a índole prática do gênio romano - limita-se quase exclusivamente aos problemas morais, que constituem o caráter essencial do estoicismo, descuidando quase que completamente dos problemas teoréticos, que no estoicismo são resolvidos segundo uma metafísica elementar e contraditória.
Daí uma superioridade do estoicismo romano sobre o estoicismo grego; a profunda praxe ascética do estoicismo recebe, aliás, uma confirmação de alto valor, pela sua aceitação por parte de uma mentalidade positiva, realista, prática, qual era a mentalidade romana. Os romanos, portanto, podem considerar-se quase naturalmente estóicos; pelo menos os romanos da idade imperial, que fazem parte da oposição e se apegam à liberdade espiritual do pensamento, aonde não pode chegar o poder exterior, jurídico, político, tendo renunciado a todo o resto. Não é de admirar, por conseguinte, - deixando na sombra as questões teoréticas - terem os estóicos romanos exercido uma função prática, moral, quase religiosa. Procurar-se-á um filósofo, como os cristãos procurarão um padre; toda grande casa terá um filósofo, como mais tarde terá o seu capelão. Sêneca e Epicteto pertencem a esta classe de diretores espirituais.
Entre os numerosos estóicos da idade imperial, apenas Sêneca, Musônio Rufo, Epicteto e Marco Aurélio - pertencentes ao primeiro e segundo século d.C. -, têm uma personalidade própria. E, entre estes, Sêneca é o maior como pensador, moralista e escritor epigramático.

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